IMPORTÂNCIA DA ANTIGUIDADE DAS MADEIRAS


        Em princípio, pode-se dizer que quanto mais antigo for um instrumento, melhor ficará, mas, de maneira alguma, podemos admitir que um mau instrumento se converta em bom, com o passar do tempo. Esta crença deve-se ao seguinte: a madeira é muito higroscópica, isto é, tem grande facilidade para tomar o mesmo grau de umidade que exista no ambiente; da mesma forma, comporta-se com igual facilidade para devolver ao ambiente a umidade adquirida. Quando se corta uma árvore, inicia um processo de devolver ao ambiente toda a umidade que o tronco serrado tinha em vida. Todavia, quando chega a certo grau de secagem, já não devolve mais umidade ao ambiente, por mais que passe o tempo. A madeira compõe-se de dois estados da celulose: um, amorfo (adj. 1. Sem forma definida; informe. 2. Quím. Aplica-se às substâncias não cristalizadas. 3. Miner. Sem estrutura cristalina.), que absorve ou devolve água; e outro cristalino, que não admite umidade alguma. Quando o tronco é cortado, quase toda sua massa é celulose amorfa e com o decorrer do tempo, esta massa vai-se convertendo em estado cristalino. Logicamente, uma madeira antiga deve ter grande parte de sua massa em estado cristalino, que é refratária à umidade ambiente, pois diminui sua elasticidade, aumenta a rigidez e vibra com maior amplitude.

        Na foto abaixo podemos ver um abeto jovem, com cerca de três anos de corte (branco), sobre um tampo de abeto com cerca de 12 anos de estocagem. As madeiras mais antigas ficam com a coloração mais escura.